O Dia em que a REDUC explodiu - Diário do Rio de Janeiro

2021-11-04 09:06:18 By : Mr. Alex Yuan

Na madrugada de 30 de março de 1972, o que parecia “o fim do mundo” conforme manchete do Jornal A Notícia, aconteceu na Refinaria Duque de Caxias. Três tanques de GLP devido a um vazamento de gás, explodiram e obter 42 mortos e 40 feridos, segundo números divulgados pelos militares (o país vivia a Ditadura Civil-Militar), uma época. Moradores e ex-funcionários, relatam manipulação e que passam de 70 mortes.

A primeira explosão e mais forte, foi por volta das 0h50; uma segunda às 1h30; e a terceira, às 2h30. Fragmentos do tanque foram lançados a quilômetros de distância. No entorno da refinaria, a noite rapidamente transformou-se em dia com um céu totalmente avermelhado. Quem estava no que é hoje no município de Mesquista e até no Leblon, proteger visualizar o clarão de 300 metros que as chamas alcançaram. Na Zona Norte do Rio, foi possível sentir o tremor das explosões e muitas casas tiveram vidros de portas e janelas quebradas no centro de Caxias. A pressão com a explosão, deu origem de um terremoto. Próximo a refinaria, portas de lojas foram contorcidas e arrombadas, janelas arrancadas, árvores torradas, paredes e lajes caíram. Foi a noite do apocalipse.

O jornal A Notícia trouxe em sua capa no dia seguinte: “Médicos choravam e feridos pediam para serem mortos”. A temperatura na refinaria passou dos 100 ° C. Em Campos Elíseos um verdadeiro cenário de guerra: moradores saindo de suas casas correndo com uma roupa de dormir com bebês no colo, bicicletas, carros e motos iam para o mais longe possível da refinaria. Um trem que chegava em Mongaba foi parado pelo povo, todos invadiram uma composição, que lotou em segundos.

A Rodovia Washington Luís, foi interditada. Moradores do então Estado da Guanabara, seguiam viagem para o feriado da semana santa. Ao perceberem o calor e correria, largaram seus carros na pista e correram junto com os moradores. Todos sem destino e procurando abrigo para fugir da morte. Muitos foram para o centro de Caxias, outros para o bairro da Vila São Luís e teve quem só parou em Petrópolis.

A guarnição do Corpo de Bombeiros de Campinho foi a primeira a chegar à refinaria, alguns minutos depois da primeira explosão, solicitando imediatamente reforços ao Quartel Central, pois não puderam combater o fogo, devido à impossibilidade de se aproximarem do local sem o risco de serem atingidos por novas explosões.

A dificuldade maior consistia na temperatura elevada que impedia os bombeiros se aproximar dos focos de explosão. Os reforços chegaram logo depois, com cinco guarnições do Méier, duas de Ramos, sete do Quartel Central e todo o contingente da própria refinaria que se juntaram como cinco guarnições de Campinho. Os bombeiros lançavam jatos de espuma contra as chamas e gritavam para as pessoas mais próximas se afastarem do fogo, recomendando que elas se jogassem ao chão caso notassem qualquer elevação súbita das labaredas. A maioria das pessoas se afastava do local cega com o clarão do fogo e surdas com os estrondos das explosões, além de quase sufocadas com o intenso calor.

Na explosão das 2h30, houve tanto pânico e risco de morte, que os próprios bombeiros e médicos tiveram que abandonar tudo e sair correndo. O Jornal do Brasil do dia 31/03/1972, relata a gravidade do maior acidente da história da REDUC:

“O dia amanheceu de night: um monte de fumaça semelhante a um cogumelo iluminou o asfalto da Rodovia Washington Luís (…). Não houve gritos, e se alguém gritou, a explosão falou mais alto. (…) Um incêndio em chamas muitas vidas foram consumidas e muitas pessoas comuns feridas. (…) Todos queriam ajudar, mas a indagação era dos bombeiros próprios: como? A cada explosão, as labaredas saíam rasteiras e consumiam tudo que encontravam numa área de 20 metros. (…) E muita coisa realmente aconteceu, às vezes dolorosas, que acabaram nas cinzas do incêndio e da explosão que deram uma visão do fim do mundo. ”

Dentro da refinaria, os trabalhadores feridos jamais voltariam a serem os mesmos: “depois que as partes queimadas cicatrizarem, estes homens serão obtidos a banhos esterilizantes, a balneoterapia em tanques de Hubbard, a exercícios de realização e cirurgias plásticas, nas quais serão utilizados enxertos de pele do próprio doente e de outras pessoas. Ficam 60 dias hospitalizados e passarão por um tratamento de recuperação de cerca de 120 dias, dependendo do caso. A reabilitação física não vai ser suficiente para que eles voltem a ter uma vida normal. Será preciso um longo tratamento psicológico ”.

Todo socorro ambulatorial do INPS na redondeza, médicos e enfermeiros dos hospitais Carlos Chagas, Getúlio Vargas e cerca de 40 ambulâncias, foram prestar os primeiros atendimentos. Pouco tempo depois da última explosão, 150 soldados da I CIA do Exército, chegaram ao local, cercando todo entorno e afastando médicos, enfermeiros e bombeiros. A cidade de Duque de Caxias, era considerada “Área de Segurança Nacional”. Os sobreviventes, foram levados para os hospitais da: Lagoa, Andaraí, Getúlio Vargas, Carlos Chagas, Hospital Souza Aguiar do INPS e nas casas de saúde: Santa Teresinha na Tijuca, Santo Antônio e Nossa Senhora de Lourdes em Caxias, Brasil Portugal, na rua do Bispo e na Ângela Filpe em Cascadura. Dos mortos, o primeiro identificado foi Geraldo Bastos, tinha 27 anos, morador de Brás de Pina e exercia a função de encanador. Na explosão, destruiu lhe atingiram e teve traumatismo craniano.

Quando a REDUC explodiu, o jornalista Armando Amazonas, tinha 13 anos e recorda: “Morava a cerca de 700 metros da explosão. A primeira explosão, foi antecedida de um barulho fino, ensurdecedor! Corremos em direção a BR 040 pela linha do trem. Ao chegarmos, lá estava meu avô, sentado a porta do seu restaurante, pegou um litro de fogo paulista e disse: “tomo um gole, não adianta correr, se não debelarem o fogo, vamos todos pelos ares”. Foi meu primeiro gole (risos). Então subimos um morro, na entrada de Campos Elíseos, e assistimos os nossos guerreiros do fogo combatendo as chamas e as explosões seguintes ”. Amazonas lembra de um amigo da família de nome Antônio. No dia do incêndio, ele vestia o macacão da empresa e nas costas havia o emblema “PETROBRAS” em losango. “No incêndio, o macacão dele pegou fogo e deixou essa sequela na pele. Na suas costas, ficou escrito: Petrobras ”.

Não foi pior, devido o ato heroico do encanador José Augusto Valente: ele foi visto subindo na esfera de gás para “abrir” como válvulas de segurança. Com isso impediu que a explosão fosse horizontal. Ele auxiliou o Chefe de Transferência e Estocagem, Gil Chaves de Morais, a fechar várias comportas no momento do incêndio. Se as explosões feitas para os lados, outros tanques e unidades seriam atingidas provocando explosões em série, que poderia ter acabado com boa parte de Duque de Caxias.

No bairro de Campos Elíseos, poucos ou quase nenhum morador está preparado para fugir de um acidente nessas proporções. A REDUC, não dá nenhuma orientação e nem busca integrar-se com a comunidade. Além disso, produz um passivo ambiental e poluidor que só fica com a comunidade. A ONG SCC, localizada no bairro, em parceria com a Fiocruz, estudo, onde constatou-se: há moradores morrendo com câncer na bexiga. Motivo: inalação de fumaça tóxica, água e solo contaminados.

A dicotomia é evidente: onde está o maior PIB da Baixada Fluminense, tem um dos menores IDH. O lucro é todo das empresas e o prejuízo, do povo. A pressa na produção para atender ao mercado e falta de manutenção em seus equipamentos, já fez outras acidentes e túmulos. A única opção que a REDUC dá, é escolherem como morrer: de forma lenta, respirando fumaça ou transformando todos em cinza.

QUE DITADURINHHA DE MERDA FOI O REGIME MILITAR BRANDO.

SE TIVESSE COLOCADO AS CARCERAGENS DOS ANTIGOS ÓRGÃOS DE UTILIDADE PÚBLICA AO LADO, O.BRASIL TERIA SE LIVRADO DE GRANDE PARTE DA CORJA MALDITA DE PEÇONHENTOS.

Bom Dia! Estou comentando, mas não quero julgar… Juiz é Deus! Mas fico me perguntando como alguém pode ser tão…, melhor dizendo, “inocente” sabendo que há um vazamento de gás, e decidir acender um balde sinalizador, um balde sinalizador que até estava com produto inflamável, que idéia infeliz… a tragédia sem o balde de fogo poderia não ter sido evitada caso está pessoa não tem essa, mas poderia ter sido a situação menos pior, e até daria mas tempo para os funcionários se salvarem, é disso que estou falando, poderia explodir depois, mas poder coisas boas ter acontecido por as pessoas terem um pouco mas de tempo para agir. Mas por outro lado acredito que a pior falha foi a falta de comunicação da empresa com os funcionários, a falta de instrução e treinamento para os funcionários agirem em momentos catastróficos foi o pior e grande erro! Se esse indivíduo tivesse sido treinado, creio eu, ele não faria o que fez, porque com certeza ele não tinha malícia e não sabia ao certo o que fez. Sou dona de casa, e na 1 ° vez que um gás glp iniciado um vazamento em minha residência, segui tudo o que havia aprendido, e ainda tirei mas 2 dúvidas com os bombeiros ao ligar para a emergência, então graças a Deus tudo terminou bem ! Mas poderia não ter sido assim se eu não me prepare há anos atrás, a empresa tem que ter treinamentos para esse tipo de emergências…

Trabalhei na Reduc de 85 a 97, num tempo em que grandes mudanças sociais e operacionais, se davam na Refinaria, bem como foram criados inúmeros projetos que beneficiavam os moradores residentes em seu entorno, notadamente, crianças da comunidade. Também não faltava interação entre a empresa e a comunidade e não só para os funcionários. Creio que algumas informações artigo, antecedem às práticas adotadas anteriormente ao acidente. Hj grande responsabilidade social, não que tange à segurança de todos.

Eu nasci em duque de caxias em outubro de 1968. Mas morava proximo a refinaria. Muito proximo em Campos Eliseos. Minha vo. Tinha uma barraca que pediu comida. almoço café da manha. Para os trabalhadores da redução. No fia das explosao eu tinha três anos. E estava dormindo em berço. Meus pais minhas irmas tambem. O desespero foi tanto que papai. Pegou minhas irmas e correusem direçao. Ele pensava que minha mae tinha me tirado do berço. Eu fiquei. E depois de varias horas a caminhar. Descobriram que eu estava em perigo. Papai corajosamente voltou e me tirou. eu levando para um lugar seguro. Nao lembro de explosoes mas cresci ouvindo edsa história. E minhs vo se recusou a ir embora preferiu ficar para ajudar os bombeiros e os outros funcionarios. Nunca esqueci desse fato.

Funcionário da Reduc, vigilante brigadista, estava de folga nessa tarde / noite fatídica, perdi muitos companheiros, o que se sabe que houve um cochilo operacional que possibilitou vazamento de gás por uma das válvulas de drenagem de uma das esferas, li uma reportagem que o operador abriu a drenagem e foi lanchar, não foi bem assim, vou tentar contar em palavras: eram quatro esferas gigantes, o operador ao fazer a rotina não verificou que um dos visores de nível d'água estava obstruído, estava dando que havia um nível alto de condensado de vapores dentro da esfera, como rotina abriu o dreno e foi verificar os níveis das outras esferas, quando a nuvem de glp voltou e tentou fechar a válvula do dreno mas estava congelada e não conseguiu pediu auxilio mas foi em vão e o vazamento só aumentava, a noite e um vigilante da Reduc foi sinalizar a Estrada da Fabor (fabrica de borracha) que passava ao lado das esferas, mais ou menos duzentos metros, sinalizou com um balde com óle oe colocado o fogo como sinalizador, bom o gás continuava a vazar, como é mais pesado que o ar e havia um pequeno declive em favor da estrada o glp foi bater no balde sinalizador que estava em chamas, o gás flasheou e foi de encontro a esfera, a partir de daí não foi mais possível deter a tragédia e deu no que deu, muitos mortos, muito prejuízo e muita discussão do projeto, uma tragédia sem igual na industria petrolífera do Brasil. Quero dizer aqui que não teve vigilante fumante na área industrial, foi o sinalizador que determinou toda a tragédia que iniciou com o descuido operacional. Foi isso que aconteceu, o resto é historia. Trabalhei na Reduc até 1993 quando me aposentei, saí da área de segurança patrimonial e fui para uma área operacional, vivenciei muitos incêndios e acidentes, sempre pertenci a brigada de incendio da Reduc mas acidentes como a do parque de GLP de segurança foram feitas, a Petrobras mudou seu modo de vivenciar a industria de petróleo.

Tinha 10 anos e soube por familiares que um grupo de irmãos em tinguá atravessando o rio foram queimados pelo óleo derramado no rio pela explosão do duto que passa por lá .minha familia tem um sitio la em tinguá e essa história era contada por moradores do local .

Muito bom o seu artigo! É necessário lembrar do passado para que esses fatos não ocorram novamente.

No início do dia 30 de março de 1972, fui acordado por minha mãe, que ao colocar a mamadeira da filha caçula na pia da cozinha, notou uma claridade diferente na Reduc, percebi que era algo sério, embora separada só 12 anos. Acordei meu pai, que havia ido dormir bêbado, e ele menosprezou cena, mandando-nos dormir. Nosso vizinho, o Sr. Laerte, agiu diferente, não dormiu mais, tinha gesso na perna e tórax, estava se recuperando de um atropelamento. Já se passavam de 00h10, quando aconteceu a primeira explosão, que rachou nossa casa de alto a baixo, o fogão e outros moveis dançavam, meu pai, que estava bêbado, foi abandonado pela cachaça, o Sr. Laerte levou o quadro clínico e só queria correr. Vi pessoas cardiácas, renais, doente de coluna, e outras moléstias fazendo milagres, correndo em qualquer direção. Meu pai parecia atleta subindo o morro correndo, carregando meus quatros irmãos menores.Eu sai para outro lado levando mais três. Foi uma madrugada trágica que nunca mais esqueci, minhas pernas bastiam nas nádegas, tanto que corriam sentindo nas costas como fagulhas que subiam a cada explosão. Por isso que respeito a categoria dos trabalhadores petroleiros, pois foram os primeiros a darem suas vidas para evitar um mal pior.

Jorge Gonzaga Azulão Membro da Coordenação do Movimento Projeto Central - Pela revitalização dos trens elétricos e bitola estreita do Estado do Rio de Janeiro.

O título sensacionalista lista como se a culpa toda recaísse sobre REDUC, em países sérios nunca a prefeitura do município, no caso de Duque de Caxias poderia ter lugar a instalação de residências, no caso de favelização que ocorreu no entorno de uma refinaria, que é um complexo petroquímico que possui grandes riscos a vida e ao meio ambiente, mas aqui é tudo uma bagunça. Fenômeno muito semelhante acontece próximo ao COMPERJ, onde estava sendo levantados os prédios próximos ao complexo, como se isso fosse alguma vantagem. Mas acaba que pela ignorância das pessoas, elas resolvem se instalar próximo a complexo industrial e alguns jornalistas por falta de vontade ou de interesse divulga reportagens extremamente parciais como essa.

Para meu filho. Pára. Você mora em Itaboraí ??? À medida que dezenas de prédios e edificios construídos foram na área urbana. Ah fala sério. Inclusive por especuladores. Que faliram pois diversas unidades habitacionais estão encalhadas.

Eu me lembro vagamente e eu tinha 15 anos. INFELIZMENTE são tantas como DESGRAÇAS neste país que não antes REEDITADAS PARA NÃO CAIR NO ESQUECIMENTO E SEREM COBRADAS PROVIDÊNCIAS CASO NADA TENHA SIDO FEITO, CAIRÃO NO ESQUECIMENTO COLETIVO COMO DE HÁBITO. /

Muito bom artigo! Despertando a consciência para uma questão ignorada pelas autoridades.

Meus parabéns @? Marroni Alves ?! ???? Excelente texto! A lembrança não é boa, mas se faz necessária, tendo em vista o risco eminente que correm os moradores de Caxias e adjacências e a denúncia é pertinente no sentido de chamar à razão as autoridades competentes para que olhem e solucionem esse grande problema da cidade!

Artigo excelente. Eu tinha 17 para 18 anos na época e não me lembrava desse horror!

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